Ontem, 30/12/2024, estava assistindo ao DVD do show do cantor João Gomes, ao vivo em Recife, PE. Adorei seu timbre de voz, como também, as participações especiais, as quais sinalizam e simbolizam as minorias e um senso crítico da atual conjuntura social. Na letra da música “Eu tenho a senha” de João Fernando Gomes Valério. Percebi um soar sem sexismo ou mesmo machismo, uma labuta, diferentemente do que ouvi outro dia, na qual estava na composição: “Hoje eu levantei da cama, tomei meu café. Dei um beijo nas criança, eu coisei com a muié. Tudo isso foi de graça, irmão. As coisas boas são de graça, irmão”. [sic]. E continuava “pra que a gente consiga comprar um mé, o leitinho dos menino. E o Modess da muié’, o resto é só fé”. [sic]. Nada contra o gosto médio segundo Ariano Suassuna, pior que o mal gosto, concordo. Jesus disse isso em outras palavras: “Conheço sua conduta: você não é frio nem quente. Quem dera que fosse frio ou quente! Porque é morno, nem frio nem quente, estou para vomitar você da minha boca. Você diz: ‘Sou rico! E agora que sou rico, não preciso de mais nada’. Pois então escute: Você é infeliz, miserável, pobre, cego e nu. E nem sabe disso” (Apocalipse 3,15-17). Parece inofensivo e sem intenção, mas propaga a ideia do homem como esteio e a mulher apenas com a lida da casa, a qual exige muito esforço físico e psíquico. Perpassa, essa ideia na letra da canção “só fé”; a supremacia faliana, se assim posso chamar. Não devemos levar à frente ideias de um sexo acima do outro, mesmo que inocentemente. Podem dizer: “ele não pensou assim”, mas, acredite, fortifica a mentalidade de que a mulher fica em casa sem fazer nada, só gasta o dinheiro do marido. A lida da casa vejo-a como empreender muito esforço: cozinhar, arrumar, lavar, cuidar de criança, se tem. Ufa! O marido chega do trabalho diz que estar morto de cansado, não faz mais nada e a mulher o dia inteiro. Reflitamos o que levamos à frente, mesmo que sem “intenção”. “Levanta cedo pra labuta que eu tó pronto. Eu muito conto com meu Deus que tá no céu. Eu tenho a senha pra correr em todo canto. Humildade e a disciplina dos sermão que mãe me deu”.
Zezinho
Ô coisa, coisada
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